Abstract
A 5 de fevereiro de 1597, seis franciscanos espanhóis, dezassete catequistas japoneses e três jesuítas japoneses, um padre e dois irmãos foram martirizados por crucificação na colina de Nishizaka, em Nagasaki. Este episódio de martírio coletivo de cristãos foi o primeiro de muitos episódios semelhantes que ocorreram durante o chamado Século Cristão ou Namban Era (1549-1639). A formação de comunidades de Kakure Kirishitan (cristãos escondidos) ou Senpoku Kirishitan (cristãos subterrâneos) foi uma das principais consequências destes episódios. As comunidades kirishitan desenvolveram uma religiosidade muito sincrética, marcada pela veneração dos antepassados mortos pela sua fé. Em 1627, o Papa Urbano VIII declarou beatos os mártires de Nagasaki em 1597, como reconhecimento geral deste episódio numa época caracterizada por episódios tão macabros na Europa e em outras geografias. A bomba atómica lançada sobre Nagasaki em 1945 reavivou entre as comunidades cristãs locais a memória dos martírios do passado, que remontavam a 1597. O tema continua atual no século XXI. Em 2008, o Papa Bento XVI declarou santos cento e oitenta e oito Kirishithan martirizados pela sua fé, na sua maioria leigos. Em 2016, o filme Silêncio, dirigido por Martin Scorsese e baseado no romance de Shisaku Endo, abriu o debate sobre o significado do cristianismo e do martírio para o grande público do século XXI.