Abstract
No fim de março de 1556, partiram de Lisboa um grupo de 14 jesuítas, enviados para as missões do Oriente, entre os quais também se destacava o Padre Gonçalo da Silveira, com as funções de Provincial da India. Em setembro de 1556, chegaram a Goa, o centro político e administrativo do Estado da Índia. Alguns destes jesuítas iam com a missão específica de intervenção apostólica junto do Preste João. Os demais eram enviados para outras missões na India, mas todas essas missões eram concebidas como um empreendimento global, facilitado no quadro do Padroado Português. Foi também a partir de Goa que foram impulsionadas as primeiras missões na África Oriental, facilitadas pela rede de contactos estabelecida por comerciantes portugueses, que conheciam as rotas entre a costa e o seu interior. As primeiras missões junto do Reino de Tongue decorreram entre 1560 e 1562, ficaram à responsabilidade de Silveira e mais dois companheiros, o Padre André Fernandes e o irmão André Costa. Em setembro de 1560 o Padre Gonçalo da Silveira partiu para o centro do Império Karanga, uma vez que pretendia uma rápida conversão ao cristianismo do imperador Monomotapa, o qual tinha uma influência dominante relativamente aos reinos vizinhos, numa aposta na eficácia de uma “cristianização descendente”. Pretende-se compreender as estratégias de evangelização, abordar os objectivos traçados para as primeiras missões jesuítas realizadas no interior de África no período indicado, relevando a experiência anterior de Silveira na Índia, e a sua visão, e dos seus companheiros quanto a essas missões, num quadro de uma primeira globalização e de uma nova diáspora missionária, avaliando os resultados dessas missões, as quais suscitaram um forte impacto político na Coroa portuguesa.