Abstract
A presente dissertação apresenta o estudo filológico de correspondências que fazem parte da administração colonial da América Portuguesa no início da segunda metade do século XVIII, entre 1751-1757. Por meio da edição semidiplomática, apresenta-se um conjunto de trinta e três cartas enviadas a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador geral dos estados do Grão- Pará e Maranhão. As cartas estão localizadas na Biblioteca Nacional de Portugal - BNP, catalogadas na coleção José António Moniz. Para apresentar essa produção documental do século XVIII, dividiram-se as cartas em dois grupos. No primeiro grupo de cartas enviadas, encontram-se missivas de padres, bispos e pessoas comuns envolvidas direta ou indiretamente com a administração colonial. O grupo é identificado na dissertação como \"Autores variados\" (AV) e é composto por 16 cartas. O segundo grupo são cartas enviadas por Gonçalo Pereira Lobato e Sousa (GPLS), identificado com o mesmo nome e composto por 17 cartas. O estudo proposto parte de uma contextualização histórica sobre o século XVIII e os administradores coloniais Francisco Xavier de Mendonça Furtado e Gonçalo Pereira Lobato e Sousa e o atual Norte do Brasil. A prática epistolar e os conceitos paleográficos e diplomáticos também são estabelecidos na primeira parte. Na segunda parte, apresentam-se a edição semidiplomática, uma ementa detalhada sobre os assuntos tratados nas cartas e descrições linguísticas e paleográficas. Por fim, estabelece-se um estudo sobre o registro de consoantes sibilantes surdas e sonoras em contexto intervocálico. Observase que a produção documental no século XVIII possibilita estudos que desafiam não só o contexto histórico-social, mas também os aspectos relacionados ao estabelecimento de uma tradição gráfica setecentista, sendo, portanto, objeto de estudo considerável para compor a perspectiva do desenvolvimento linguístico e social do Brasil, especificamente o território que ainda fazia parte do que era denominado América Portuguesa. Busca-se, portanto, reforçar a importância dos estudos filológicos de documentos da administração colonial e contribuir para a ampliação dos estudos sobre a história da língua portuguesa